
Estou me afogando
Não me acho
Este mar é imenso, gélido.
Fecho-me diante das barreiras
E afundo no pensar, imaginar,
Não consigo ultrapassar
Nessas correntes sem fim
Estão atrás de mim
Posso sentir o fluido
Perseguindo meus sentidos
Calmo e agitado, nos confins do início
Correndo e fugindo do desconhecido
Batizo de estranho mar das impurezas
Que é meu amigo nessas horas
Aonde transfiro meu ódio
No tempo e no espaço
Que me cega e leva a perdição
Mas o muro é abalado
Sei que agora é o momento
Passo pela fenda
Vem ajuda da superfície
E encontro meu socorro
Do alto
E o perseguidor desiste
Não me afogo mais
Não corro mais
Estou a salvo da angustia
Longe dos becos escuros.
…
Diante do gesto simples e perfeito
Estranho ao olhar passivo
Do planeta de ídolos
Cansado de heróis
Pedindo por ajuda
Num coro de desespero
Que escutamos, não sentimos,
Estamos cegos, perdidos,
Afogados.


