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Nostalgia

Sinto falta
Do meu tempo de criança
Do primeiro grande amigo
De um tempo pouco distante.

Sinto falta
Da melodia da cidade
Que em sua quietude
Grandiosa se erguia.

Sinto falta
Das belas manhãs
Do café-da-mamãe
Das tardes de sossego.

Sinto falta da saudade
Sentimento que se vai
E não deixa rastro
Saudade que falta num mundo
Que necessita de memórias.

Sinto falta
Dessa nostalgia
Desse canto na escrita
Que me permite dizer:
Como eu sinto falta.

Nada além de rosas

rosas.jpg

O jardim acolheu o sujeito cansado
Colocou-o num canteiro de rosas
Cantou belas cantigas sobre amor
Falou-lhe sobre paixão
Citou a liberdade e explicou os ideiais
Deixou cair folhas de árvores velhas
E deu exemplo da desobediência
Mostrando um tronco seco, caído perto do riacho,
Disse que é preciso aprender, e só.

O sujeito se levantou, olhou o jardim e chorou
Derramou as lágrimas do saber e do discernimento
Livrou-se de seus direitos e vontades
Olhou para o horizonte e viu seu novo destino
Atravessou o riacho e deixou o jardim, para conhecer a vida.

Pena que a vida não sabe falar
Se não teria dito que o jardim é traiçoeiro
Teria aberto os olhos do sujeito para uma nova realidade
Revelaria que a vida não é um canteiro de rosas
Que aprender sem ponderar leva à ilusão
E que a liberdade deve ser vivida e não citada.

Pena que a vida não sabe falar
O sujeito deverá difenciar jardins de pantânos.

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