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Apelo cego

Apelo cego

Estou me afogando

Não me acho

Este mar é imenso, gélido.

Fecho-me diante das barreiras

E afundo no pensar, imaginar,

Não consigo ultrapassar

Nessas correntes sem fim

Estão atrás de mim

Posso sentir o fluido

Perseguindo meus sentidos

Calmo e agitado, nos confins do início

Correndo e fugindo do desconhecido

Batizo de estranho mar das impurezas

Que é meu amigo nessas horas

Aonde transfiro meu ódio

No tempo e no espaço

Que me cega e leva a perdição

Mas o muro é abalado

Sei que agora é o momento

Passo pela fenda

Vem ajuda da superfície

E encontro meu socorro

Do alto

E o perseguidor desiste

Não me afogo mais

Não corro mais

Estou a salvo da angustia

Longe dos becos escuros.

Diante do gesto simples e perfeito

Estranho ao olhar passivo

Do planeta de ídolos

Cansado de heróis

Pedindo por ajuda

Num coro de desespero

Que escutamos, não sentimos,

Estamos cegos, perdidos,

Afogados.

Ainda chego Lá

Ainda chego Lá

Parede de pedras sólidas
Um pouco maior que você
Mas só um pouco
Ainda dá pra ver além
E Lá é belo, posso te afirmar.
Lá é sensacional
Sempre fico nas pontas dos pés
Para conseguir olhar.

Tomei como objetivo
Caminharei o que for preciso
Enfrentarei todas as curvas
E um dia, nas últimas rochas
Chegarei Lá
E vislumbrarei a sensação
De alcançar o meu destino.

Mas há de se esperar
Pois temos curvas e caminhos
E pedras para transpor
No duro caminho para Lá.

Eterno apego

Eterno apego

Está frio e já anoitece
Volto pra casa, rumo à solidão
Preciso de conselho, algo que me alegre
Mas não encontro um se quer que tenha compaixão
Vejo esquinas e esquinas
Cruzamentos e desvios
Todos traem meu caminho
Levando-me para longe
Distanciam-me de meu objetivo
Preciso alcançar aquelas tardes
Donde respirava sem pensar
E diante das tuas palavras
Começava a imaginar
Como seria sem ti
Sem sua atenção para me ouvir
Me ouvir nos desabafos
Que fluíam no silêncio de um olhar
O que preciso é te abraçar
Me lembrar do teu sorriso
Que agora fica na lembrança
Penso e reflito
Sua face continua em minha mente
Tão nítida e clara nas entrelinhas
Que revelam a verdade do sentimento
Que ninguém escuta, cheira ou sente
Mas que olho bem no interior
E me recordo de tudo que vivemos
Grande amigo da infância
Tu fostes embora e não te vejo
Mas será querido para sempre
Não sairá do meu pensar
Pois de fato somos amigos
Que nem luto pode separar.

Triste

Triste é ver e não enxergar
Caminhar e não aprender
Escutar e não ouvir
Falar e não dizer
Criar e não expressar
Tocar e não sentir
Pensar e não discutir
Receber e não doar
Saber e não crer
Viver e não amar.

Nostalgia

Sinto falta
Do meu tempo de criança
Do primeiro grande amigo
De um tempo pouco distante.

Sinto falta
Da melodia da cidade
Que em sua quietude
Grandiosa se erguia.

Sinto falta
Das belas manhãs
Do café-da-mamãe
Das tardes de sossego.

Sinto falta da saudade
Sentimento que se vai
E não deixa rastro
Saudade que falta num mundo
Que necessita de memórias.

Sinto falta
Dessa nostalgia
Desse canto na escrita
Que me permite dizer:
Como eu sinto falta.

Nada além de rosas

rosas.jpg

O jardim acolheu o sujeito cansado
Colocou-o num canteiro de rosas
Cantou belas cantigas sobre amor
Falou-lhe sobre paixão
Citou a liberdade e explicou os ideiais
Deixou cair folhas de árvores velhas
E deu exemplo da desobediência
Mostrando um tronco seco, caído perto do riacho,
Disse que é preciso aprender, e só.

O sujeito se levantou, olhou o jardim e chorou
Derramou as lágrimas do saber e do discernimento
Livrou-se de seus direitos e vontades
Olhou para o horizonte e viu seu novo destino
Atravessou o riacho e deixou o jardim, para conhecer a vida.

Pena que a vida não sabe falar
Se não teria dito que o jardim é traiçoeiro
Teria aberto os olhos do sujeito para uma nova realidade
Revelaria que a vida não é um canteiro de rosas
Que aprender sem ponderar leva à ilusão
E que a liberdade deve ser vivida e não citada.

Pena que a vida não sabe falar
O sujeito deverá difenciar jardins de pantânos.